20 junho 2013

Problemas com agentes teratogênicos

Define-se como agente teratogênico qualquer substância, organismo, agente físico ou estado de deficiência, que estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz alteração na estrutura ou função da descendência.

O aparecimento de anomalias genéticas devido a exposição à agentes potencialmente teratogênicos pode sofrer interferências de acordo com o período de exposição da gestante, do tipo do agente em que foi exposto, da duração da exposição e da dose exposta. Podendo levar a conseqüências tais como: aborto, prematuridade, malformações, distúrbios do comportamento e/ou aprendizado e até alteração no crescimento do bebê.
É importante salientar que algumas substâncias podem ser excretadas no leite materno, logo, o bebê amamentado-se poderá correr o risco de desenvolver alguma alteração mesmo após o nascimento.

Alguns exemplos  destes agentes:

Os fármacos quando são tomados durante a gravidez podem causar defeitos congênitos e incluem o álcool, a fenitoína, os fármacos que interferem nas acções do ácido fólico, o lítio, a estreptomicina, as tetraciclinas e a varfarina  As infecções que podem provocar defeitos congénitos compreendem o herpes simples, a hepatite viral, a gripe, a parotidite, a rubéola, a varicela, a sífilis, a listeriose, a toxoplasmose e infecções por vírus Coxsackie ou por citomegalovírus. No princípio do pré natal, pergunta-se à mulher se tomou alguns destes fármacos ou se sofreu alguma destas infecções desde que engravidou. O tabagismo, o consumo de álcool e o abuso de medicamentos durante a gravidez também afetam a saúde e o desenvolvimento do feto.

O tabagismo é a dependência mais frequente entre as mulheres grávidas de alguns países desenvolvidos. O consumo de tabaco prejudica tanto a mãe como o feto. O efeito mais evidente do tabagismo sobre o recém-nascido durante a gravidez é a redução do seu peso ao nascer: quanto mais uma mulher fumar durante a gravidez, menos pesará o recém-nascido. Este efeito parece ser maior entre as fumantes mais velhas assim como as probabilidades de  ter complicações com a placenta, rotura prematura de membranas, parto antecipado  e infecções uterinas. Uma mulher grávida que não fuma deverá evitar expor-se ao fumo de outros, pois pode igualmente prejudicar o feto.
Além disso, os filhos de mães fumantes têm deficiências quanto ao crescimento, ao desenvolvimento intelectual e ao comportamento. Crê-se que estes efeitos são provocados pelo monóxido de carbono, que reduz o fornecimento de oxigénio que os tecidos do organismo recebem, e pela nicotina, que, ao estimular a libertação de hormnîos, provoca uma constrição dos vasos sanguíneos na placenta e no útero, diminuindo a chegada de sangue.
O consumo de álcool durante a gravidez é a principal causa conhecida de anomalias congénitas. A síndroma alcoólica fetal, uma das principais consequências causadas pelo consumo de álcool durante a gravidez, aparece em cerca de 2,2 de cada 1000 recém-nascidos vivos. Esta doença inclui o atraso do crescimento antes ou depois do parto, anomalias faciais, cabeça pequena (microcefalia), provavelmente causada por um crescimento escasso do cérebro, e um desenvolvimento anormal do comportamento. Além disso, o álcool pode causar problemas que vão desde o aborto a graves efeitos no comportamento do recém-nascido ou na criança em desenvolvimento, como um comportamento anti-social e um déficit de atenção. Estas perturbações podem até aparecer mesmo que o recém-nascido não tenha defeitos físicos ao nascer.
O risco de aborto espontâneo quase duplica quando uma mulher consome álcool durante a gravidez, sobretudo se beber muito. Geralmente, o peso com que nascem os filhos de mães que consomem álcool durante a gestação é inferior ao normal. A média do peso à nascença é de cerca de 2 kg, comparados com os 3,5 kg do resto dos recém-nascidos.
A toxicodependência e o abuso de substâncias tóxicas são cada vez mais frequentes nas mulheres grávidas. As mulheres que usam drogas injetáveis correm um risco maior de sofrer de anemia, de infecção do sangue (bacteriemia) ou das válvulas cardíacas (endocardite), abcessos cutâneos, hepatite, flebite, pneumonia, tétano e doenças de transmissão sexual, incluindo a AIDS. Além disso, estas crianças correm um maior risco de contrair outras doenças de transmissão sexual, hepatite e infecções e ainda é provável que o seu crescimento dentro do útero seja insuficiente e que nasçam prematuramente.
Cerca de 14 % das mulheres grávidas consomem maconha em diferentes graus. O seu principal ingrediente, o tetra-hidrocanabinol (THC), é capaz de atravessar a placenta e afetar o feto. Apesar de nenhuma prova específica sobre possíveis defeitos de nascença ou atraso no crescimento do feto no útero causados pelo uso dessa substância, alguns estudos indicam que um grande consumo desta droga provoca anomalias de comportamento nos recém-nascidos.
O abuso de cocaína durante a gravidez causa graves problemas tanto para a mãe como para o feto. A cocaína estimula o sistema nervoso central, atua como anestésico local e reduz o diâmetro dos vasos sanguíneos (vasoconstricção). O estreitamento dos vasos sanguíneos pode reduzir o fluxo sanguíneo, pelo que o feto nem sempre recebe o oxigénio suficiente,  podendo  afetar o crescimento de vários órgãos e, frequentemente, provoca problemas ósseos e um estreitamento de alguns segmentos do intestino. Os problemas de comportamento dos filhos de mães usuárias de cocaína incluem hiperatividade, tremores incontroláveis e importantes problemas de aprendizagem, que continuam até aos 5 anos ou até uma idade mais avançada. 
Se o consumo de cocaína for interrompido depois dos primeiros 3 meses de gravidez, os riscos de ter um parto prematuro e um desprendimento precoce da placenta ainda continuam a ser altos, mas, provavelmente, o crescimento do feto será normal.
Outros exemplos:
Doenças Maternas (diabetes, epilepsia, hipotireoidismo, entre outras)
Infecções Congênitas (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus, entre outras)
Radiações (radioterapia)

Problemas clínicos
Se for diagnosticada hipertensão pela primeira vez quando uma mulher está grávida, o médico pode ter certas dificuldades em confirmar se a causa é a gravidez ou algum outro problema. O tratamento da hipertensão durante a gravidez é problemático. Os benefícios que a mãe possa obter têm de ser comparados com os potenciais riscos para o feto. No entanto, quando a gravidez se encontra num estado muito avançado, esta perturbação pode indicar uma grave ameaça para a mãe e para o feto e deve ser feito um tratamento de imediato.
Se a mulher gestante tiver tido antes uma infecção urinária, analisa-se uma amostra da sua urina no princípio da gravidez. Se forem detectadas bactérias, administram-se antibióticos para prevenir uma infecção renal, para prevenir um parto prematuro ou a ruptura prematura das membranas.
As infecções bacterianas da vagina durante a gravidez também podem levar a um parto prematuro ou a uma ruptura prematura das membranas. O tratamento da infecção com antibióticos reduz a probabilidade de ter estes problemas.
Uma doença que provoque febre alta (temperatura superior aos 39,5ºC) no primeiro trimestre da gravidez aumenta a probabilidade de sofrer um aborto e de haver anomalias no sistema nervoso do recém-nascido. A febre no fim da gravidez aumenta a possibilidade de um parto prematuro.
As intervenções cirúrgicas de urgência durante a gravidez aumentam o risco de um parto prematuro. Muitas doenças, como a apendicite, uma afecção da vesícula biliar e a obstrução intestinal são difíceis de diagnosticar devido às alterações normais que se dão no abdómen durante a gravidez. Por esse motivo, quando se diagnostica uma dessas doenças, é provável que ela se encontre num estado avançado, o que aumenta a morbilidade e a mortalidade.
Complicações da gravidez
Incompatibilidade de Rh. A mãe e o feto podem ter tipos de sangue incompatíveis. O mais frequente é a incompatibilidade de Rh que pode originar uma doença hemolítica do recém-nascido. Esta doença só se verifica quando uma mãe Rh-negativo e um pai Rh-positivo têm um feto cujo sangue é Rh-positivo e a mãe produz anticorpos contra o sangue do feto. Se uma futura mãe é Rh-negativo, deve-se procurar a presença de anticorpos contra o sangue do feto de 2 em 2 meses. O risco de produzir estes anticorpos aumenta depois de qualquer crise de hemorragia em que o sangue da mãe e o do feto possam misturar-se, depois de uma amniocentese ou depois da recolha de amostras de vilosidades coriónicas e dentro das primeiras 72 horas após o parto, se o recém-nascido for Rh-positivo. Nestas circunstâncias e às 28 semanas de gravidez, é administrada à mãe imunoglobulina (D)Rh0, que adere aos anticorpos e os destrói.

Hemorragia. As causas mais frequentes de hemorragia no último trimestre da gestação são a localização anormal da placenta, o seu desprendimento precoce e uma doença da vagina ou do colo uterino, como uma infecção.
Todas as mulheres que sangram neste período da gravidez correm o risco de abortar, perder uma quantidade excessiva de sangue (hemorragia) ou morrer durante o parto
Problemas com o líquido amniótico. Uma quantidade excessiva de líquido amniótico nas membranas que rodeiam o feto aumenta o tamanho do útero e exerce pressão sobre o diafragma da mãe, o que pode provocar-lhe graves problemas respiratórios ou acabar num parto prematuro. O desenvolvimento excessivo de líquido amniótico costuma acontecer na diabetes não controlada, em gravidezes múltiplas, quando há incompatibilidade de Rh feto-materno ou em anomalias congênitas do recém-nascido. Em cerca de metade dos casos, a causa é desconhecida.
Parto prematuro. O parto tem mais probabilidades de começar prematuramente se a mãe apresentar defeitos estruturais no útero ou no colo uterino, hemorragia, stress mental ou físico, gravidez múltipla ou se tiver sido submetida a uma intervenção cirúrgica ao útero. A pneumonia, a infecção renal e a apendicite também podem provocar um parto prematuro.
Gravidez múltipla. Ter mais de um feto no útero aumenta as probabilidades de problemas no parto.
Gravidez pós-termo. Numa gravidez que continua para além de 42 semanas (depois do termo), a morte do recém-nascidoé três vezes mais possível do que numa gravidez que chega ao fim com normalidade. Por isso, nestes casos faz-se uma monitorização eletrónica do ritmo cardíaco e fazem-se ecografias para controlar o feto.
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FABÍOLA PECE  comenta: Muitos hábitos devem ser deixados de lado quando se ainda pensa em ficar grávida, a preocupação deve começar antes, pois prevenindo-se evita-se muitos problemas quando se está grávida. Além é lógico de um bom pré natal quando já houver a gravidez planejada.


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