27 novembro 2012

Adoção e Infertilidade

Quando pensamos em ter um filho,  o desejo a idealização de uma criança são aumentados. A herança genética nos dá a sensação de continuidade em nossos filhos.
Ao se deparar com a infertilidade, após o início dos tratamentos possíveis com os avanços da medicina e mesmo assim não conseguindo atingir a gestação sonhada, muitas pessoas buscam na adoção uma forma de compensar essa impossibilidade fisiológica, projetando no filho adotivo a mesma idealização do biológico.
É uma coisa muito individual, cada  casal tem um tempo para processar esse luto pela infertilidade, e é importante que nessa fase o casal converse sobre o assunto quantas vezes precisar junto a seu médico.
A adoção se torna então uma nova construção do sonho. É preciso pensar e refletir, e principalmente se preparar com informação, participação nos Grupos de Apoio e até mesmo Psicoterapia se necessário, especialmente quando um dos cônjuges não tem tanta certeza sobre a adoção.
O filho idealizado não é o filho real na adoção. As crianças disponíveis nem sempre possuem as mesmas características físicas dos pretendentes a adoção, serão diferentes e deixarão claro a todo instante que são filhos que vieram pela adoção.
Para adotar é preciso querer exercer o papel de pai e mãe de uma outra forma. No Brasil, as crianças disponíveis para adoção são aquelas abandonadas pelos pais biológicos, que por sua vez foram abandonados pelo Estado. Para aderir à adoção é preciso ter bem resolvido internamente de que a todo instante o casal enfrentará olhares (quando a cor da criança for diferente da do casal) e o preconceito racial e social que será inevitá vel acontecer (muitas vezes dentro da própria família e do círculo de amigos). Lidar com a própria frustração em não poder gerar, em não ter o filho sonhado, e assumir essa condição é imprescindível antes de se concretizar a adoção. Nem todos conseguem lidar com isso, e é preciso respeitar, pois são questões internas que precisam ser pensadas e elaboradas.
Além disso, crianças com mais de 3 anos, a chamada adoção tardia, chegarão com uma história já vivida e a memória de tudo o que foi vivenciado. Na adoção é preciso atender as necessidades dessa criança, auxiliá-la a conseguir “juntar os caquinhos” e se recuperar, crescer e amadurecer. É preciso construir o vínculo, construir o amor a cada dia (dentro de você e na criança) e conseguir conciliar as necessidades da criança com a necessidade dos pretendentes em ter uma família. 
Adotar nem sempre é a solução imediata para a infertilidade. O casal precisa refletir muito, pelo filho que não pode gerar, e ter consciência das particularidades que envolvem a adoção, além do sentimento e a vontade de se tornarem “pai” e “mãe”. Enfrentar os próprios medos e preconceitos, ser capaz de aceitar outro ser diferente de você (geneticamente e socialmente), estar pronto para auxiliar essa criança a crescer e atingir seu potencial máximo, aceitar as limitações emocionais e lidar com a própria frustração em não conseguir o filho idealizado, mas aceitar e amar o filho real.


FABÍOLA PECE  comenta: Não tomem nunca essa decisão precipitadamente, somente quando vocês estiverem bem conscientes de tudo que poderão enfrentar para que não despejem na criança adotada todas as raivas e frustrações que, por ventura, possam ocorrer. Acho um ato de amor maravilhoso, porém a criança que será adotada não terá culpa e já foi rejeitada uma vez, de novo será muito penoso para ela.
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