02 maio 2012

Uma coisa que muita gente não sabe (Matéria solicitada)

Tireóide e infertilidade feminina 




Em princípios do século passado, por volta de 1920, os médicos tiveram acesso à medicação que corrigia a deficiência da glândula tireóide: era o extrato de glândulas tireóides obtidas, em geral, de animais como bovinos e suínos.

Nesse tempo, sabia-se por conhecimento empírico, sem base científica sólida que o comprovasse, que muitas mulheres, com dificuldades para conceber e, mesmo, para manter a gravidez além do terceiro ou quarto mês, se beneficiavam do uso de extrato de tireóide (também conhecido como tireóide dessecada). 


Ficou, então, registrado que a tireóide teria ação benéfica tanto para elevar a possibilidade de concepção quanto para garantir a manutenção tranqüila da gravidez até o parto.

Com o passar dos anos, novas descobertas, como a síntese dos dois hormônios da tireóide, a tiroxina (T4) e a tri-iodo-tironina (T3), proporcionaram grandes avanços de conhecimento. Os exames para detectar deficiência da tireóide (hipertireoidismo) também se tornaram mais seguros e de fácil execução. Com o desenvolvimento de várias áreas paralelas, notou-se que parcela ponderável das mulheres com dificuldade de conceber também teriam deficiência parcial das funções da glândula tireóide.

Um problema crescente 

A infertilidade feminina é definida pela dificuldade da concepção após 12 meses de vida conjugal normal (isto é, atividade sexual com parceiro dotado de amplo número de espermatozóides). Esta definição foi lançada após estudo de 5.574 mulheres com condições de vida sexual normal. De acordo com o estudo, 50% estavam grávidas em 3 meses, 72% em 6 meses e 80-90% em 12 meses.

Portanto, infertilidade absoluta (falta de espermatozóides por parte do parceiro, menopausa prematura, obstrução tubária) ou sub-fertilidade atingiriam cerca de 10% das mulheres.

Outros fatores femininos também são importantes como endometriose (em estado avançado), deficiência de ovulação, problemas tubários e outros. É preciso levar-se em consideração, porém, que grande número de mulheres atualmente começa a pensar em gravidez depois dos 30 anos por motivo de carreira profissional. Isso também pode levar a uma menor probabilidade de concepção.

As doenças da tireóide que levam ao hipotireoidismo também se manifestam após os 30, 40 anos. Isto porque estas doenças têm fundo genético e os genes se manifestam, geralmente, após três ou quatro décadas de vida. É nesta fase da vida que a tireóide costuma falhar.

Falta de função da tireóide

Vamos começar por noções básicas. O ciclo menstrual e a ovulação são influenciados pela concentração adequada de hormônios da tireóide. Tratamento com L-Tiroxina, muitas vezes, melhora o índice de ovulação – fato fundamental para que ocorra a concepção. Em mulheres com problema de fertilidade a ocorrência de tireoidite crônica, isto é, inflamação crônica da tireóide, é muito maior do que em mulheres que conceberam normalmente. A correta função da tireóide é importante para a implantação do embrião e nos três meses de início da gestação.

O nível adequado de hormônio da tireóide é considerado essencial para as doze primeiras semanas de gestação. Mulheres com hipotireoidismo têm mais chance de perder o bebê, na proporção de 3 para 1, comparativamente a mulheres com função tireóidea normal. Durante toda a gravidez os hormônios da tireóide são essenciais para manutenção da gestação e a transferência de parte do hormônio da tireóide do lado materno para o feto por meio da placenta.

Principalmente no último trimestre da gravidez esta transferência é essencial para o correto desenvolvimento do cérebro da criança. No caso de haver hipotireoidismo nas últimas 10 ou 12 semanas da gravidez, a criança terá acesso a menos hormônio da tireóide, o que poderá acarretar dificuldades

A tireóide durante a gravidez 

Doenças de tireóide, tipo tireoidite crônica, atingem cerca de uma em cada seis mulheres ao redor dos 30, 40 anos. Mulheres com diagnóstico de infertilidade que procuram clínicos de reprodução assistida devem fazer exames para avaliar a função tireóidea. No caso de se comprovar deficiência da glândula, impõe-se o tratamento, o qual deverá ser seguido durante toda a gravidez, proporcionando à criança o hormônio tireóideo materno que tanto necessita. Possíveis seqüelas neurológicas serão evitadas se esta conduta terapêutica for seguida.

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