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04 janeiro 2013

Gravidez após laqueadura. É possível ?



Pela  Lei do Planejamento Familiar as mulheres só podem fazer laqueadura, respeitando algumas regras: ter no mínimo dois filhos vivos ou que tenham mais de 25 anos, independentemente de ter ou não filhos.
Entretanto, a prática clínica nos ensina que para se submeter ao procedimento, as mulheres precisam de muita informação para não se arrepender depois.

É um método muito radical , no qual é preciso muito diálogo entre o casal e o profissional de saúde para que esta decisão seja bem consciente. A laqueadura é um procedimento que apresenta apenas 50% de chances de sucesso em sua reversão. Em alguns casos, se realizada com cuidados microcirúrgicos, a laqueadura pode chegar a uma taxa de reversão com 70-80% de incidência de gravidez.

São poucos os centros de saúde que contam com tecnologia e profissionais capacitados para realizar a reversão deste procedimento, o que dificulta o acesso a este tipo de tratamento. Antes de pensar em fazer a laqueadura pense bem, existem tantos outros meios contraceptivos, como a pílula, o DIU ou os anticoncepcionais injetáveis
, por que não optar por eles

Muitas vezes a mulher que faz a laqueadura, na época da cirurgia, tinha pouca idade e pouca experiência de vida. Geralmente, estas mulheres não imaginam que podem se casar novamente e que desejarão ter filhos com o novo parceiro. Só aí então se darão conta do problema que terão por causa disso.  Outras não contavam que o crescimento dos filhos seria tão rápido e logo o lar estaria vazio. E há também as mães cujos filhos faleceram. E além das razões particulares, há também a imposição do marido, as dificuldades financeiras e outros problemas de saúde, que podem levar a mulher a operar num momento inapropriado.

O Brasil tem um dos maiores índices de laqueaduras do mundo, com 40% das mulheres em idade reprodutiva - de 10 a 49 anos. Nos Estados Unidos, esse índice é de 20% e na França, de 6 %.

Tecnicamente, a laqueadura é um método  definitivo de contracepção, realizado pela obstrução das trompas, que liga os ovários ao útero. Existem cerca de dez variações nas técnicas realizadas nesta cirurgia: queimar as trompas e cortá-las, colocar anéis de plástico ou clipes de titânio, ou mesmo fazer com fio de sutura. O procedimento só é recomendado sem restrições para mulheres com problemas de saúde, tais como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta. Métodos definitivos devem ser usados como última escolha, quando a gravidez implica em risco de vida.

E como é a reversão?

A reversão da laqueadura é chamada   de  salpingoplastia; é um procedimento mais complexo e poucos serviços do SUS o oferecem. Pode ser realizada por anastomose tubária microcirúrgica, via laparotomia (cirurgia aberta) ou via laparoscopia (procedimento menos invasivo). Quanto mais jovem a mulher esterilizada procurar pela reversão, maior é a probabilidade de ela vir a engravidar no futuro, e quanto menor o tempo de esterilidade, maior é a chance dela engravidar.

O grau de reversibilidade varia de acordo com a lesão que a técnica cirúrgica causou. Laqueaduras feitas com anel plástico ou clipes de titânio são mais fáceis de reverter. Para as pacientes que foram submetidas à salpingectomia (retirada das trompas), a reversão é impossível.

Porém, após a reversão da laqueadura, em média, as mulheres demoram de 6 a 12 meses para conseguir engravidar, caso a recanalização seja bem sucedida. Mas o sucesso da cirurgia relaciona-se com vários outros fatores:

 o comprimento e a vitalidade dos segmentos de trompas a serem unidos;

 a habilidade do microcirurgião;

 a idade da mulher no momento da cirurgia para reversão;

 o método utilizado para laqueadura tubária;

 quantidade de tecido de cicatrização na região da cirurgia;

 qualidade do espermograma do parceiro e presença de outros fatores de infertilidade.

Além disso, outro fator importante a ser considerado: em uma reversão de laqueadura tubária, o risco de uma gestação ectópica - gestação que ocorre na própria trompa - aumenta de 1 em 100 para 5 em 100 gestações. O que significa que a cada 100 gestações, cinco poderão ser ectópicas. Quando as trompas reconstituídas não recuperam a função, a alternativa de tratamento seria a reprodução assistida, por meio de técnicas de fertilização in vitro e transferência de embriões.

A reversão da laqueadura tubária deve ser considerada como uma opção adequada na busca de gravidez futura para mulheres mais jovens (<35 anos="anos" font="font">

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FABÍOLA PECE comenta: Pessoal, posso falar com experiência, quando  fiz estágio no Hospital Pérola Byyngton (um dos hospitais com tratamentos gratuitos em Reprodução Humana) percebi o grande número de mulheres jovens  que haviam feito laqueadura e estavam tentando reversão ou tentando um procedimento artificial. Então, opte somente em último caso por este método.

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